quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O papel rasgado da ONU


            Surgiram novamente notícias de que a Coreia do Norte bombardeou território sul-coreano. Pyongyang diz que foram disparados tiros na direcção do seu território, Seul diz que não, confirma que havia um exercício militar na zona mas não foram disparados para a Coreia do Norte. Uma coisa é certa: os coreanos não se entendem.
            Mas que os coreanos não se entendem já toda a gente sabe, o que eu pergunto è qual é o papel da ONU, e consequentemente do Conselho de Segurança, em relação a esta situação, e quem diz a esta diz a muitas outras espalhadas pelos vários cantos do Mundo.
            A mim a ONU parece-me um pró-forma, um sítio onde uns senhores de fato e gravata discutem questões importantíssimas para a ordem mundial, com opiniões bastante válidas, mas que ou ficam no papel ou nem sequer chegam a ser postas em papel. Ora numa organização criada no pós II Guerra Mundial com o intuito de arbitrar as relações internacionais o trabalho revela-se escasso.
Se nos primeiros anos de existência da organização havia a Guerra Fria que dificultou o trabalho da ONU, actualmente parece não existir nenhum entrave de maior à autoridade que a ONU deveria ter, pelo menos de forma visível.
O que quero dizer com isto é que preocupa que alguns conflitos internacionais se possam gerar devido à inércia da ONU, bem com da comunidade internacional em geral.
Exemplifico. Os EUA decidem invadir o Iraque sem consentimento do Conselho de Segurança da ONU e o que acontece: nada. O Irão tem instalações para construção de armas de destruição em massa e o que acontece: uma multa pecuniária irrelevante face à gravidade dos factos. A Coreia do Norte ameaça ao mesmo estilo do Irão, gerando uma constante tensão na região e o que acontece: nada de significativo. E muitos mais exemplos existem certamente.
Mas como pode a ONU funcionar quando um dos seus membros permanentes do Conselho de Segurança é o primeiro a infringir a principal bandeira da organização - a Declaração Universal dos Direitos do Homem - como é o caso da China.
Com toda a certeza considero a ONU uma organização primordial na nova ordem mundial que esta a nascer, assente na política transnacional, mas por enquanto apenas a nível de conceito. No entanto, espero que a curto prazo a acção desta se torne efectiva, e que consiga mediar efectivamente as relações internacionais, bem como punir os infractores.
Mas se por um lado a ONU parece a meio gás por outro realiza um papel exemplar na área humanitária, com organizações como a Unicef, a Unesco e OMS, entre muitas outras que tem sob a sua chancela.       


Ricardo Soares

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Al Gore - O ambiente também conta

            Al Gore tem vindo a travar desde há alguns anos aquela que poderá ser a luta do futuro. Sabemos que neste momento a crise económica é, sem sombra para dúvidas, o principal problema da humanidade na actualidade, no entanto, a longo prazo as questões ambientais terão de ser tidas em conta, caso contrário corremos o risco de perdermos os recursos naturais e condições ambientais indispensáveis à sobrevivência humana.

            Albert Arnold “Al” Gore desde cedo mostrou interesse pelas causas ambientais, mas é a forma tradicional de política que o revela às luzes da ribalta. Foi Vice-Presidente da Administração Clinton entre 1993 e 2001 e concorre à Presidência dos EUA nas eleições de 2001 pelo Partido Democrata, saindo derrotado por George W Bush, num acto eleitoral envolto em polémica.
            Com a derrota nas presidenciais de 2001 Al Gore abandona o palco principal da política, virando baterias para o meio ambiente, retomando o papel de activista ecológico, que recuperou do inicio da sua carreira política, no qual escreveu o livro A Terra em Balanço: Ecologia e o Espírito Humano. É na mesma linha de pensamento que surge que, em 2006, surge o documentário Uma Verdade Inconveniente, que o devolve de novo à esfera pública mediática.
            O documentário surge no seguimento de uma série de conferências em que o activista participa por todo o mundo, nas quais alerta para os perigos da degradação ecológica do planeta e das consequências que daí surgiram e que diminuíram em muito a qualidade de vida da espécie humana, já para não falar nas outras espécies.
            Em 2007, fruto da sua intervenção ecológica, recebe o Prémio Nobel da Paz em parceria com o Comité Intergovernamental para as Alterações Climatéricas da ONU.

            O ser humano formata a sua em vida em torno de um sistema hierarquizado de necessidades, assim, quando vê uma necessidade saciada altera o seu rumo em busca de outra.
Se durante muito tempo os homens lutaram pelos seus direitos. liberdade e segurança, hoje em dia, com essas necessidades satisfeitas, exceptuando os beliscões que a democracia sofre de tempos a tempos, a orientação da vida humana surge na direcção do conforto baseado nos bens materiais e constante aumento da riqueza. Mas como somos um animal de necessidades que somos nunca estamos realmente satisfeitos não sabemos quando parar, o que provocará graves danos no planeta Terra, danos para os quais Al Gore tanto alerta.
O que a realidade futura nos mostrará é que seremos obrigados a alterar as nossas prioridades, dando mais importância ao meio ambiente, no entanto, como no inicio do texto é dito, as necessidades dos Homens estão viradas para os problemas da grave crise económica. Mas não poderá ser esta falência das economias modernas o mote para o inicio de uma nova hierarquia de necessidades em que o meio ambiente esteja mais presente?
Poder podia, mas não era a mesma coisa. É que viver sem os luxos do desenvolvimento imponderado é tão difícil…  




O Elephante 

sábado, 20 de novembro de 2010

Portugal é de quem?



Com a ditadura fascista éramos um país tão fechadinho que ficámos atrasados, passados 36 anos de democracia somos um país tão aberto que já nem manda-mos em nós, andamos ao sabor do vento, vento que se chama UE, NATO, OMC, etc.

Hoje o ministro da defesa Augusto Santos Silva veio dizer que ainda não sabe quanto é que Portugal vai pagar pelo escudo de defesa antimíssil, no entanto, já sabe que Portugal vai pagar, não sabe é quanto! O ministro diz que o preço, que ainda não se sabe, vai valer a pena, porque proteger toda a população de uma ameaça compensa, independentemente do custo. Mesmo que Santos Silva não concordasse com isto - e poderá não concordar - o que é que mudaria? Absolutamente nada. Tinha de o dizer, ou ia em plena cimeira da NATO afirmar que o escudo antimíssil não faz falta a Portugal, pelo menos para já, que se vive uma época em que a população está sujeita a um esforço tremendo, ia? Claro que não!
Não quero tomar nenhuma posição em relação à participação de Portugal na compra do escudo anti-míssil, quero apenas alertar que o nosso país está progressivamente a perder soberania enquanto estado-nação, muito por causa da adesão a certas organizações que de democráticas têm pouco, são imperialistas, servem os interesses dos países que têm mais poder dentro de si, é escusado nomeá-los, e rebocam os pequenos países a seguir as mesmas medidas, não têm outra alternativa.
Faz-se um OE, e obrigatoriamente temos de o levar aos senhores da Europa para o corrigirem. Estamos endividados até ao pescoço por causa da crise que não provocámos, vem cá a China “ajudar-nos”, agora vamos ter de obedecer a mais uma potência como se já fossem poucas. Eventualmente chegará o FMI, mais um bicho que vem impor as suas regras aos portugueses. Portugal está a deixar de ser dos portugueses, parece uma loja quando é “trespassada”, até Timor, um dos países mais jovens do mundo, com cerda de 1 milhão de habitantes, se tornou num eventual comprador da divida portuguesa.

Vida difícil terão os políticos que irão herdar este cenário, causado nos últimos anos pelos cegos que queriam acompanhar a toda a força o crescimento europeu, não prevendo o custo que Portugal está hoje a pagar, tornando o país num satélite dominado pelos grandes do ocidente, e não só. Nas grandes questões, os políticos portugueses são agora uns meros mensageiros.


Francisco Esteves

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NATO, ide tomar na bunda !

Vivemos num momento de crise. Portugal, coitadinho, está quase como a Irlanda embora os nossos responsáveis governativos afirmem que fazer tais comparações é algo de ridículo. O próprio Nouriel Roubini, economista e um dos homens que por acaso até previu esta "doença" económica com epicentro nos EUA, afirma que Portugal vai em breve perder acesso aos mercados e, então, terá de recorrer ao FMI. Pode ser que ele se tenha enganado, coisa que aparentemente não faz muito, e isto melhore.


Todavia, com Roubini ou sem ele, a crise anda por aqui como um "dementor" vagueia pelo Harry Potter. Assustadora, sombria e capaz de levar a "morte financeira" a muito boa gente. O país responde gastando ainda mais dinheiro para organizar este belo espectáculo no Oriente: a cimeira da NATO.


Ainda hoje ia eu no meu belo percurso de autocarro para a Cidade Universitária que, normalmente, demoro 10 minutos a concluir, quando começo a notar que os carros teimosamente não andavam. Buzina aqui, buzina acolá, e lá passa uma comitiva a tentar "furar" o tráfego todo. Claro, com a polícia ao "tinoni" a malta teve de se desviar e deixar as excelências passar. O resultado foi um bonitos caos automobilístico que me esticou o percurso em mais 20 minutos. Meia hora sentado, a ver luzinhas azuis passar.

Talvez a minha indignação com estas parvoíces seja defeito meu. Uma moça com os seus 20 e poucos anos ia ao telemóvel e começa a gritar "ANA, ANA, vou ver o OBAMA!". Isto porque apareceram duas motorizadas da polícias, dois carros patrulha, dois Audis e quatro Mercedes.

As pessoas, parecendo que não, gostam disto. Todavia, esta festa imperialista custa dinheiro. Dinheiro esse que, curiosamente, faz falta a um país à beira da banca rota. E anda a pagar-se para estes senhores estarem cá dois dias a discutir temas como a "proliferação das armas de destruição maciça". Serão, certamente, as mesmas armas que estavam no roupeiro do Saddam e que, vá-se lá saber porquê, nunca foram encontradas. Uma coisa muito ao estilo Maddie, mas sem Gonçalo Amaral.

Hoje lá estiveram a conversar e a tirar umas belas fotos (que, na minha opinião, é o que qualquer turista faz no Parque das Nações). A cidade praticamente parou para os senhores irem à cimeira e voltarem aos hotéis. Fazendo uma avaliação algo leviana, o que trouxe esta cimeira à nossa bela vida?

- problemas com o trânsito
- grandes líderes internacionais
- histeria desnecessária
- visibilidade internacional
- manifestantes

Destes seis pontos que, levianamente, identifiquei em 32 segundos não consigo nomear um que nos ajude realmente a combater a situação que atravessamos. Temos problemas de sobra com o trânsito, líderes internacionais que nos visitam noutras alturas do ano, histeria já instalada com a ameaça de banca rota, visibilidade a nível Mundial devido às belas contas públicas e manifestantes, que ainda há uns dias se fizeram ouvir acerca do Ensino Superior.

Por mim a NATO pode fazer as festas que quiser, colocar na "guest" aqueles que bem entender, mas sem me aborrecer. Ainda por cima eu, que habito perto da embaixada americana, sujeito a levar um balázio porque corria para apanhar o autocarro mas a autoridade interpretou tal acto como fuga a uma bomba colocada sabe-se lá onde.


Pedro Paradinha

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ensino Superior - Protestar sobre o quê?


            Realizou-se hoje mais uma manifestação nacional dos estudantes do Ensino Superior. A Associação Académica de Coimbra, organizadora do protesto, fez um balanço positivo da acção, que afirmou ter entre seis e sete mil participantes, ao contrário das informações fornecidas pela PSP, que contou cerca de cinco mil participantes, nas já habituais informações divergentes entre as instituições.
            Numa altura em que crise afecta a maior parte da população portuguesa, e sabendo-se das dificuldades que a classe dos estudantes sempre ultrapassou, os estudantes mobilizaram-se num número interessante na luta pelos seus direitos. Se o número de estudantes é interessante, a maior parte revindicações não me parecem muito interessantes, sobretudo num momento em que o país ultrapassa graves problemas e se pedem sacrifícios em todos os quadrantes da sociedade. É obvio que os estudantes, em particular os do Ensino Superior, fazem sacrifícios há muitos anos, e pesados, mas apesar disso, as revindicações parecem-me exageradas, nomeadamente por serem opostamente radicais às políticas actuais. Mas já o povo diz: “se queres uma mão pede as duas”, só assim é compreensível o protesto.
            Relativamente às medidas, estou de acordo com o protesto contra Bolonha, pois em nada veio beneficiar o Ensino Superior português, pois desvalorizou em muito a Licenciatura, tornando o Mestrado num imperativo estatístico de grau académico em vez dum enriquecimento na formação académica, visto este se centrar em matérias antes leccionadas na Licenciatura. Entre muitos pontos negativos de Bolonha encontramos um positivo: a mobilidade facilitada pelo programa Erasmus, mas o facto de ir estudar para outro país não pode penalizar aspectos muito mais importantes do percurso académico de cada um.
            Mas o que mais mobiliza os protestos são as políticas relativas às propinas e à acção social, e ai as posições podem ser muito polémicas. Na manifestação aclamou-se pelo fim das propinas, mas tal é impraticável neste contexto. Apesar de a nível constitucional estar previsto que o ensino deve ser tendenciosamente gratuito, penso que nas condições actuais as propinas deveriam ser progressivas, ou seja, adaptar a propina a ser paga por cada um aos rendimentos que o sustentam. Deste modo, haveria estudantes a pagar muito pouco, os que menos capacidade financeira, e outros a pagar quase na totalidade os encargos que cada estudante do Ensino Superior custa ao Estado, aqueles que têm elevada capacidade financeira.
            Aliada a esta medida, seria a correcta distribuição de bolsas de estudo, as quais incompreensivelmente sofrem cortes quando os estudantes mais necessitam delas, visto alunos que necessitam de bolsas não as têm mas outros têm-nas de forma fraudulenta, mas este assunto daria pano para mangas. Por fim, apenas revelar a minha incompreensão com o facto de parte do valor das bolsas não ser automaticamente deduzidas no valor das propinas e com isso facilitar fraudes.


Ricardo Soares

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O poder dissimulado da Religião

           À medida que a sociedade vai evoluindo a religião vai perdendo poder de decisão sobre os assuntos estruturantes que esta enfrenta.

 A ruptura entre Estado e religião dá-se com a laicização do Estado de Direito, que se pretende independente de outras instituições, perdendo assim a religião o poder que manteve durante séculos, em que as instituições religiosas ditavam as normas de funcionamento de sociedades com os olhos vendados.
            Se o Estado e a religião se separaram o mesmo não aconteceu com a religião e a sociedade. À primeira vista, esta pode ser uma ideia um pouco contraditória, visto Estado e sociedade possuírem fronteiras difíceis de separar, no entanto, o que se quer afirmar é que num plano formal, ou seja o Estado, as crenças religiosas deixaram de intervir na política, mas ao invés, na prática, a vivência numa sociedade é imensamente condicionada pelas crenças religiosas. Ou não é a moral de cada sociedade construída com base em crenças religiosas do que é o bem ou o mal? Crenças que de tão enraizadas na sociedade parecem independentes de qualquer influência. A verdade é que a moral é formada na religião.
            Sustento esta ideia com o seguinte: numa altura em que a diversidade de povos e culturas dificultava o controlo de massas as diferentes religiões têm um papel fundamental na manutenção da norma. São as religiões que formulam uma série de regras e costumes que indicam às pessoas o caminho que estas devem percorrer, que comportamento é aceite ou considerado desviante, e fazem-no de forma repressiva e coercitiva, com ameaças e punições.
Nesta perspectiva a religião não é a forma mais eficaz de controlo de massas?
            A resposta é dada mostrando a forma como se legisla. Não são os Dez Mandamentos do Cristianismo que influenciam quase na totalidade as Constituições e Códigos Penais dos países ocidentais? Os países árabes não estão constituídos de acordo com o que as Suras que Maomé revela no Al Corão? Não estão as sociedades assentes no mesmo jogo de poder ameaçador e repressivo que nos “aconselha” a escolher o que dizem ser o melhor caminho?
            Com isto não se quer dizer que as sociedades pós-modernas se regem exclusivamente pela fé e crenças religiosas - felizmente as sociedades já não estão vendadas - a exemplo disso movimentos liberais como a abertura do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao qual a Igreja se opôs fortemente, a conclusão a que se pretende chegar é que se os Estados são laicos, das sociedades já não se pode dizer o mesmo, uma vez que a religião está presente nos recantos desta, de forma mais ou menos dissimulado. Portanto a frase inicial do texto revela a forma dissimulada que a religião foi construindo para exercer a sua influência, pois a sua força está na forma como nós afirmamos assertivamente aquela frase sem nos apercebermos que em parte ela é uma ilusão. 


O Elephante

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lula da Silva


Lula da Silva nasceu em 1945, no seio de uma família com muito poucos recursos, com 21 irmãos, 12 da mãe e do pai, e 10 do pai e de outra mulher, naturalmente que não sobreviveram todos. O pai nem sequer o incentivava a estudar, preferia que fosse trabalhar, queria que fosse assim com todos os filhos. Lula foi alfabetizado e aos 7 anos começou a trabalhar, vendia laranjas no cais.
            Enquanto aos 7 anos vendia laranjas, um seu contemporâneo português, Freitas do Amaral, ensaiava discursos políticos com os mesmos 7 anos, em frente da sua família, todas as semanas. Preparava-se para assumir uma carreira política, enquanto Lula da Silva jamais passaria de um operário. 
            Passados mais de 50 anos, vemos que as carreiras profissionais destes dois indivíduos foram ambas na política, apesar de nada o fazer prever, Lula da Silva contrariou todas as probabilidades e chegou onde muito pouca gente chega, e conseguiu ser muito melhor político que Freitas do Amaral, se é que pode haver alguma comparação.

            Lula mostrou ser um Presidente do povo. Uma história de vida humilde mas honrada, em que a experiência de vida substituiu a formação académica e criou uma imagem de credibilidade num país tão afectado pela corrupção. Uma vida feita de lutas e conquistas sindicais indicaram-lhe o caminho para o seu primeiro diploma, como o próprio disse: «o diploma de Presidente do meu país», mas apenas quando encontrou no seu discurso e forma de encarar o mundo um ponto de equilíbrio na sua visão de esquerda radical, que se tornou numa esquerda ponderada e adaptada às condições no Mundo actual e do próprio Brasil.
            Os dois mandatos de Lula ficaram para sempre marcados como a época em que o Brasil disparou como potência mundial, prova disso é a presença no G20. Consequência da política do executivo de Lula ou força de uma evolução normal de um país com tantas potencialidades? Certamente um pouco dos dois, o que não deixa de ser verdade é que Lula mais do que estar no lugar certo à hora certa, soube aproveitar as condições favoráveis que tinha e lutar contra algumas adversidades, que tal como na sua vida pessoal, minaram a caminhada do Brasil.  E hoje conhecemos um Brasil a que poderíamos chamar o Brasil de Lula, fruto da forma carismática e da personalidade forte com que este comandou os destinos do país.

            Por fim, e um pouco à parte de Lula da Silva, referir duas coisas sobre o Brasil, que mostram a ambiguidade do país e ao mesmo tempo se tem sinais de clara evolução, ainda tem outros que deixam muito a desejar. Se no facto de terem elegido Dilma Rousseff é de louvar o passo democrático de eleger uma mulher, na eleição de Tiririca como deputado federal ainda mostra a forma um pouco leviana e até inconsciente como a população, sobretudo a mais pobre, da qual ainda parte considerável analfabeta, encara as questões políticas.


O Elephante

sábado, 13 de novembro de 2010

James Galea - Pura magia

Quando parece que mais nenhum truque de magia nos pode surpreender aparece sempre um novo. Sem recurso a meios tecnológicos, só com a sua qualidade e habilidade, James Galea surpreende qualquer um.  

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os gays também ja fazem provocações

No domingo passado o papa visitou Barcelona e teve uma recepção onde os habituais fiéis que estavam presentes foram ofuscados pela histérica manifestação de 200 gays, que decidiram receber o papa com um beijo colectivo e muito intenso, para além das manifestações verbais, foi absolutamente desnecessário! Ainda para mais em Espanha, país onde pessoas do mesmo sexo se podem casar desde 2005.

 
Os gays invadiram completamente o espaço de uma instituição que, supostamente, nada tem a ver com a sua vida social – sim, a igreja condena a homossexualidade, e então? Têm de os aceitar moralmente? Claro que não – e politicamente, apesar de fazer força, a igreja não tem conseguido contrariar as conquistas que têm vindo a ser conseguidas pelo movimento gay, em diversos países, mais nuns do que noutros, mas ainda bem que têm acontecido!
A Igreja e a homossexualidade não se devem querer sobrepor, e parece-me obvio que a sua conjugação é e será impossível, portanto, desrespeitar do espaço da igreja por parte dos gays, e vice-versa, não faz qualquer sentido e não existe nenhum objectivo realizável, os gays não irão fazer parte da Igreja e a Igreja não deixará de condenar a homossexualidade!
É bom que a comunidade gay se lembre que ainda há pouco tempo eram oprimidos, e vivam em condições desiguais para com os casais heterossexuais de todo o mundo – hoje são reconhecidos legalmente em cerca de 40 países, quer por casamento ou por união de facto -, e esta tentativa de passagem de oprimido a opressor, desrespeitando a posição de uma religião e provocando o seu líder é completamente desastrosa.
Não quero aqui de forma alguma defender a Igreja, muito menos a sua posição em relação à homossexualidade, e o combate que esta instituição tem vindo a fazer à homossexualidade é também despropositado, internamente está vinculado que não é aceite, até aí tudo bem, mas há que perceber que o poder da religião na construção da sociedade civil no ocidente (excepção feita à Itália do triste Berlusconi), tem vindo a ser reduzido, caminhando para zero, como uma democracia laica deve ser.  

Partindo do princípio ingénuo que esta atitude dos gays tinha como objectivo reivindicar a homossexualidade e combater a homofobia, foi definitivamente o pior cenário escolhido, a manifestação tornou-se numa falta de respeito, numa pornografia gratuita e nojenta. Trabalhem para mudar a opinião das pessoas enquanto indivíduos que partilham valores universais e não enquanto crentes que se concentram num ritual religioso. Do mesmo modo que a Igreja precisa de perceber o seu espaço, adaptar-se, aceitando o seu novo papel na sociedade e parar de perder tempo tentando resgatar o poder que outrora detinha.
Numa sociedade há um conjunto de barreiras morais que não devem ser quebradas e invadidas por algo estranho, para que tudo funcione da melhor maneira. A liberdade de cada um acaba no momento em que começa a liberdade do outro.

Francisco Esteves

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Casa Pia - Culpado: erro judicial


            Na segunda-feira surgiu a notícia de que o processo Casa Pia poderá ser reaberto devido a um erro no acórdão. Mais um episódio para juntar aos muitos que já existem sobre a mais mediática telenovela judicial de Portugal, com a ressalva de ser mais cedo que a maioria pensava, visto as cenas do próximo episodio terem sido sobre os recursos. É um extra para audiência portuguesa!!!

            Todo o caso causou-me alguma estranheza, desde logo pelo seu inicio, quando é dado a conhecer ao grande público em Setembro de 2002 pela mão da jornalista Felicia Cabrita, o que à partida parecia ser um grande trabalho jornalístico revelou-se uma história cheia de buracos que a própria jornalista não conseguiu explicar no julgamento. Muitas mais coisas estranhas se passaram entretanto, como as personalidades que eram acusadas e mais tarde não se viriam a sentar no banco dos réus, no entanto, o que me levou hoje a escrever foi o facto de o caso poder voltar a ser julgado num Tribunal de Primeira Instância devido a um erro judicial, portanto irei centrar-me nesta temática e não em todo o caso, caso contrário não acabaria hoje de escrever.
            O erro judicial trata-se do seguinte: nas audições preliminares uma das vítimas acusava Carlos Cruz de o ter violado a um sábado, no entanto, durante o julgamento a vitima contradiz-se e afirma que os factos teriam ocorrido num dia de semana não especificado; Carlos Cruz não é informado desta alteração e como tal a sua defesa não pode ser realizada em conformidade com a acusação, o que lhe nega um direito essencial à defesa. Deste modo, tanto a defesa de Carlos Cruz como o Ministério Público mostram agora a vontade de reabrir em parte o caso, que também implica Carlos Silvino e Nuno Marçal, estes dois por lenocínio.
            Se tiverem uma opinião idêntica à minha, certamente acharam errado que o arguido veja a sua acusação alterada e não seja informado de tal facto, no entanto, aquilo que me causa mais dificuldade em entender é o facto de os três arguidos acima referidos terem sido condenados por crimes realizados numa data indefinida, segundo diz o acórdão da sentença. Ora como é que alguém se defende de uma acusação que nem a data dos factos contém? Eu não sei, mas a Dr. Juíza Ana Peres lá deve saber.
            Já diz o ditado popular, “o que nasce torto nunca ou tarde se endireita”, e se o Processo Casa Pia nasceu envolto em polémicas tenho dificuldade em acreditar que se resolva da melhor forma, mas enquanto há vida há esperança, portanto espero que se faça justiça, apesar de com tudo o que já se passou seja difícil, neste momento só se pode minimizar os estragos de um processo, a meu ver, longo e mal conduzido a todos os níveis.
            A reabertura do julgamento poderá ser o móbil para que o processo se endireite, para que arguidos sejam julgados em conformidade com os seus direitos e sejam condenados ou ilibados caso se provem ou não os factos.

Com este texto não pretendi defender o arguido Carlos Cruz, mas sim o Estado de Direito, que deve fornecer aos seus cidadãos um sistema jurídico correcto e segundo as normas vigentes, o que não aconteceu neste caso concreto. Pois ao mesmo tempo que afirmo que o julgamento foi mal conduzido, acredito que os arguidos são culpados de alguns dos crimes de que são acusados e que existem outras pessoas que deveriam estar na barra do Tribunal e que não estão, pois o problema na Casa Pia vem de há muito mais tempo que os factos enunciados no processo. Mas neste momento só espero que devido a erros judiciais culpados não fiquem impunes.




Ricardo Soares

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os deputados vão às aulas



Um dia, Manuela Ferreira Leite disse numa conferência de imprensa que, se calhar, o que fazia falta era seis meses sem democracia para pôr tudo na ordem e depois então voltar ao normal. Na semana passada, no Parlamento, Manuela Ferreira Leite “tentou” ensinar o deputado do PCP Honório Novo a educar os seus filhos. Não é grande novidade que Ferreira Leite não é muito admirada nas fileiras comunistas mas, depois destas duas intervenções, penso que cada vez será menos.
Ainda que eu concorde plenamente com a ex-líder do PSD quanto à primeira questão, já não é algo que mereça muito a pena ser comentado, em virtude da altura longínqua em que aconteceu. Porém, a frase que na semana passada disse no Parlamento parece-me muito pertinente, não propriamente pela mensagem pessoal ao deputado comunista, mas sim pelo seu conteúdo mais genérico e aplicável a toda a sociedade e, especialmente, à economia.
Nós já sabemos que as palavras “economista” e “comunista” são de difícil conjugação na mesma frase. Ainda assim, há princípios elementares que qualquer um percebe sem ser economista e um deles foi enunciado por Manuela Ferreira Leite da forma mais simples possível: quem tem o dinheiro é que manda. Ainda que a extrema-esquerda viva na ilusão de que a igualdade absoluta é a melhor forma de vida para uma nação (cada um lá saberá por que o defende…), temos que perceber que isso não é a realidade.
Mas Ferreira Leite não pôs o dedo na ferida só por ter dado uma lição de “Introdução à Economia I” a Honório Novo. Além disso, a deputada social-democrata fez também, com esta afirmação, uma grande chamada de atenção ao Governo de Sócrates. Claro que Sócrates já sabia isto, porque até é engenheiro, mas é sempre bom relembrar, principalmente, todos os portugueses, do motivo pelo qual o PSD se absteve na votação do Orçamento do Estado. Ao contrário do que a pequena oposição fez crer em vários debates na última semana, a viabilização do orçamento foi tudo menos uma concordância com o Governo. Muito pelo contrário, todos aqueles que têm um mínimo de atenção à actualidade sabem que o PSD não podia estar em maior desacordo. Porém, como Manuela Ferreira Leite explicou, era fundamental que houvesse um orçamento aprovado, para agradar aos que têm o dinheiro.
Na aula seguinte, de “Iniciação à Estratégia Política”, Ferreira Leite ensinou ao deputado socialista Afonso Candal o motivo pelo qual é necessário manter uma postura pacífica nas relações PSD-Governo. Ficou a saber o deputado, e todos os que ainda não tinham percebido, que internacionalmente era muito importante Portugal mostrar que não estava na iminência de uma crise política. Por isso mesmo, Ferreira Leite ainda foi mais longe e disse mesmo que não basta deixar passar o orçamento. Para ela, é também preciso que, de facto, PS e PSD se “façam de amigos”, para alemão ver.
Já longe da liderança do PSD e mais afastada da ribalta política, Ferreira Leite apareceu na semana passada no Parlamento para, mais uma vez, dar uma lição de política e economia aos deputados e a todos os portugueses. Agora, já não serve de nada chorar sobre o leite derramado. Mas, como já muitos começam a ver, se tivéssemos dado ouvidos a esta senhora quando previu o que estava para vir, talvez pudéssemos ter evitado muita coisa.




João M. Vargas
(Autor convidado)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Zuckerberg - Quem Quer Ser Milionário?


            Mark Elliot Zuckerberg, poderia muito bem ser mais um jovem americano de 26 anos que estaria por estes dias a organizar a sua vida. No entanto, é muito mais do que isso, é, segundo a revista Forbes, o mais jovem bilionário de sempre, com uma fortuna avaliada em um bilião e meio de dólares.

            Ser um dos co-fundadores do Facebook, juntamente com Andrew McCollun e Eduardo Saverin, sendo Zuckerberg o principal dinamizador do projecto, que teve inicio em 2004, fez com que rapidamente fizesse fortuna. Actualmente é CEO da empresa que gere o Facebook.
            Desde cedo Zuckerberg mostrou aptidão para as novas tecnologias e uma visão futurista, criando desde muito novo aparelhos tecnológicos, como um MP3 Player artificialmente inteligente com capacidade para aprender os hábitos musicais do seu utilizador, desenvolvido na sua adolescência. No entanto, não se poderá dizer que Zuckerberg inventou um novo conceito com o Facebook, ele “apenas” reinventou aquilo que já existia, as redes sociais online, mas fê-lo de forma tão atractiva, que tornou o site, segundo dados da Google, o mais procurado com 540 milhões de visitas em Abril, cerca de 35% de entre todos os sites.
           
            Apesar de tudo isto, a maior curiosidade no perfil e Zuckerberg é que numa análise muito redutora e superficial da sua vida profissional, o criador do Facebook mostra inúmeras semelhanças com outro génio da informática: Bill Gates. Ambos fizeram fortuna muito cedo na vida, os dois na área da tecnologia, um com o Facebook outro com a Microsoft. Têm predisposição e acções na área da filantropia. E o mais caricato de tudo é que ambos são acusados de roubarem as ideias originais que os levaram à glória e à fortuna: Gates é acusado pela Apple de fazer um copyright ilegal para criar o Windows, Zuckerberg de roubar o código fonte do site de uns colegas de faculdade, chamado HarvardConnection.com, com o pretexto de os ajudar. Ambos os casos foram inconsequentes para o futuro de cada um, restando apenas a polémica.

            Por fim, dizer que Zuckerberg não pára na sua escalada, sempre com uma visão focada no progresso e na oportunidade de negocio, ou não estivesse agora a aprender Mandarim, provavelmente a língua do futuro a par do inglês.    


O Elephante

sábado, 6 de novembro de 2010

Um gordo esfomeado.


"Se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer" foi esta a inteligente frase proferida pelo deputado Ricardo Gonçalves na reunião do PS, e que repetiu quando questionado pelo Correio da Manha.
Esta besta continuou o seu belo pensamento e disse também "Tenho 60 euros de ajudas de custos por dia. Temos de pagar viagens, alojamento e comer fora. Acha que dá para tudo? Não dá" e "Estamos todos a apertar o cinto, e os deputados são de longe os mais atingidos na carteira".
Com este conjunto de “aberrações”, considera-se que de hoje em diante e até prova em contrário, Ricardo Gonçalves possui o galardão de maior jumento da assembleia da república!

No passado dia 20 de Outubro, o Correio da Manha foi passar um dia com este senhor (excelente iniciativa por parte do CM), para mostrar como os seus dias são difíceis, esfomeados e paupérrimos!
Toma o pequeno-almoço no bar da AR, gastou 1,15€, foi almoçar à cantina, o almoço custou 4,90€, que surpreendentemente não é um hábito seu, pois costuma almoçar no restaurante do piso de cima que é mais caro que a cantina 12,60€, lanchou no bar da AR, gastou 4,75€, ao jantar gastou 15€, mas também não é o seu restaurante habitual, onde paga 18€ por refeição. Depois do jantar foi para o café de S. Bento e bebeu 2 Ice Tea e às duas da manha foi para casa.
Partilha o seu apartamento com outros colegas, e paga 300 euros por mês pela casa e pela limpeza.
Fazendo uma simples conta, percebemos que este senhor é um perfeito anormal, senão vejamos: Num dia normal, que só é normal para ele, para um português de classe média seria um dia no mínimo “extravagante”, gasta 41,22€ em refeições, multiplicando pelos 16 dias que passa em Lisboa, são cerca de 650€, somando os 300 euros da renda da casa, faz um total de 950€. Então se recebe 1107,04€ de ajudas de custos por mês, apenas gasta 950€ (esta diferença é uma bolsa de estudo, bem mais útil, que se perde), e raramente almoça na cantina, para que é que ele também queria jantar na cantina? Afinal sempre tem dinheiro de sobra para comer, e nem precisa de ser em cantinas, mentiroso!
Aparte deste subsídio “chorudo”, o salário de um deputado é de 3700€ mensais, ao fim do mês este esfomeado leva para casa quase 5 mil euros! Depois de tudo o que ele disse, provavelmente tem pelo menos uns 3 ou 4 filhos, não é? Não, não tem filhos! Como é que alguém vem dizer que quase não tem dinheiro para comer quando ganha 5 mil euros e não tem filhos?! Ele se calhar não sabe que o salário médio de um português é de 800€, ou seja, se todos os portugueses tivessem o mesmo salário, esse salário seria de 800€, portanto este energúmeno recebe 6 vezes mais que um português de classe média.

Este deputadozinho tornou-se numa gigante nódoa negra na classe política, vem dar razão a quem gosta de criticar os políticos, porque destes realmente o país não precisa, e a reprimenda que a imprensa e os comentadores lhe ofereceram deveria ser formalizada pelo seu partido (e talvez tenha sido, mas duvido).


Francisco Esteves

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Senhor fígado

De certeza que a grande maioria já estudou minimamente o corpo humano. Quando digo "minimamente" refiro-me aos órgãos mais famosos, sistemas que possuímos, etc.

Tal como o título indica, hoje venho falar-vos de um órgão que muitos de nós tratam mal, rebaixando-o e desrespeitando-o. Falo, claro, do fígado.


Assim à primeira vista, o fígado parece um daqueles capacetes de ciclismo que muitas vezes vemos na Volta a França ou a Itália e, para não ficarem com a ideia da minha falta de patriotismo, na Volta a Portugal. No entanto, esta coisa vermelha é muito importante para a nossa sobrevivência. Não é por acaso que muitas pessoas desesperam por um transplante desta que é a maior glândula do nosso corpo.

Após alguma meditação, compreendo que as pessoas que necessitam de um transplante se dividem em dois grupos: culpados e inocentes.

Começando pelos inocentes, são para mim aqueles que não puderam fazer nada para evitar a sua situação. Doenças no fígado não se limitam ao alcoolismo, daí que seja difícil "controlar" a vontade em tê-las ou não.

No entanto, existem muitos culpados. Gente má, rude e feia, que não se preocupa com o seu belo destruidor de hemácias (aka glóbulos vermelhos) e que acaba, inevitavelmente, por sofrer as consequências.


Para além de ganharem um novo relevo no corpo, que não abona nada a nível estético, habilitam-se a uma bela cirrose. Como é natural, se for detectada a tempo, a salvação é possível. Mas não era necessário chega a este estado triste e decadente de existisse alguma consciência.


Como podem observar pela seguinte imagem, o fígado mal-tratado fica feito em merda. Mais ano ou menos ano, se os comportamentos irracionais permanecerem, será assim que estarão por dentro - feitos em merda.

No fundo, pensem bem na forma como tratam o fígado. Não abusem dele, senão apodrece e é uma chatice. Se há um dia do Pai, da Mãe e da Avó, porque não um do fígado? Também lhe podíamos dar uma prenda, poupando-o.

Este texto foi pensado devido a um colega meu, que começou a ganhar o gosto pela bebida (e pelo consequente vómito) deixando-me a pensar sobre qual será a estado do seu fígado.

Fiquem bem ;)
Pedro Paradinha

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Portugueses com rosto

            António Horta Osório foi hoje nomeado para Presidente Executivo do Lloyds Baking Group, função que desempenhará a partir de Março de 2011. A nível pessoal, é o reconhecimento de um percurso de ascendência vertiginosa, em que a presidência do Grupo Santander em Inglaterra e a nomeação para Administrador Não-Executivo do Banco de Inglaterra se destacam. A direcção de um dos maiores bancos de Inglaterra, em que a Coroa é accionista maioritária, é ponto mais alto da carreira do gestor de 46 anos.

        
    Ao tomar conhecimento da nomeação de Horta Osório, lembrei-me que Portugal tem profissionais de valor, ao nível dos melhores em todo o Mundo. Escrevo que me lembrei porque realmente foi isso que aconteceu, pois durante a maior parte do tempo nem me lembro que no nosso pequeno país, quase esquecido num cantinho da Europa, existem valores que fazem os outros corar de inveja e nós, os portugueses, termos um bocadinho de orgulho próprio.
            Mas é triste só nos lembrarmos desses Homens quando algum deles é notícia em qualquer outro país, e mesmo assim parece que os outros dão mais importância a essa notícia que nós próprios. E se nós temos tanta gente com valor para o país tão pequeno que somos!!!
Amália difundiu através do Fado a língua e a
cultura portuguesa por todo o Mundo 
            António Damásio na Psicologia. Durão Barroso, A. Guterres ou J. Sampaio, Alto Comissário para os Refugiados e Alto Comissário para a Aliança das Civilizações, ambos da ONU, respectivamente, na Política Internacional. O já referido Horta Osório e Vitor Constâncio na banca. Na Cultura, nomes como Amália ou Mariza cantaram bem alto em português, e Manuel de oliveira no Cinema. Já no Desporto os nomes parecem nunca mais acabar. Eusébio, Figo, Ronaldo, Mourinho, Carlos Lopes, Nelson Évora, Vanessa Fernandes, Rosa Mota, entre tantos outros fizeram a Portuguesa tocar nos quatro cantos do Mundo. Por fim os já falecidos José Saramago ou Fernando Pessoa na Literatura.
            Estes homens e mulheres são o rosto que representa muitos outros que não tiveram reconhecimento devido à falta de orgulho nacional em Portugal, pois certamente que existiram muitos outros, mas que a minha memória portuguesa não me permite recordar.
            Portugal tem problemas - e muitos por sinal – mas também não fazia mal nenhum aos portugueses lembrarem-se que no nosso país também existem coisas boas, a começar pelas pessoas, pois a mim parece-me extraordinário que um pais tão pequeno e com recursos tão limitados forneça ao Mundo tantos nomes de relevo, O que seria de nós com condições e vontade para explorar todo este potencial humano que estes Homens personificam?
            É difícil responder, ou mesmo algum dia termos a resposta, no entanto, se nunca começarmos por algum lado também nunca nos aproximaremos da resposta. Se é verdade que recursos parece difícil termos, já pela vontade ainda não se paga, mesmo assim, parece que não a mostramos. Será que algum dia a vamos ter e lutar para que ela se concretize?




Ricardo Soares         

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cinema Português: Um bebé amputado

Falar do nosso Cinema é uma coisa complicada. Em primeiro lugar, porque ele, o cinema português, raramente se pode sentir como tal, português. Português como algo construído a partir de uma comunidade artística unida, um núcleo de cineastas, portugueses claro, que se entendam e que criem. Por outro lado, Português como algo que passe realmente nos cinemas de Portugal. Português como algo que esteja no dia-a-dia dos seus supostos compatriotas, os portugueses. Para salvar o cinema português é preciso, não só financiamentos, infra-estruturas, maior industrialização, mas principalmente, que se queira ver cinema português.

Actualmente, o Cinema em Portugal vive em condições caricatas. Não só no que toca à sua distribuição internacional, mas principalmente no que toca à sua produção e posterior distribuição. A comunidade cinematográfica em Portugal vive uma verdadeira guerra civil, existindo várias divergências entre realizadores, produtores, distribuidores e governo. E as consequências dessa desordem são visíveis, desde as incongruências legislativas e regulamentares até à falta de diversidade de financiamento, passando pela necessidade de uma maior promoção do cinema português. Uma das causas mais aparentes para este caos artístico, ou melhor, para esta carência artística, poderá ser a censura.

O Cinema cresceu em Portugal com a sombra da censura, sendo limitado logo à nascença. Essa é a imagem que surge no cinema pré-25 de Abril. O cinema português sem entraves e sem coarctações propriamente dito só se começa a formar a partir do 25 de Abril. É interessante compararmos a nossa história com a de países fortemente produtores de cinema nacional no resto da Europa, como é o caso da Inglaterra e a França. A sua história proporcionou, principalmente no caso da Inglaterra, grande liberdade para o cinema florir. Em Portugal essa realidade surge tardiamente. O gosto geral pelo cinema português fica, assim, aquém do cinema estrangeiro, não por este ter menos qualidade, mas por ter sido pouco fomentada a criação e a tradição cinematográfica durante a ditadura, o que é agora um ciclo vicioso.
No caso dos distribuidores, pouco diferença notamos. A liberalização pós 25 de Abril veio-lhes dar completa liberdade para trazer os filmes que foram proibidos durante o Estado Novo. Essa liberdade fez com estes investissem, não no cinema português que só naquele momento se estava a formar, mas sim no cinema estrangeiro. Um cinema que dava maior segurança aos investimentos desses mesmos distribuidores. Este espírito de investimento tornou-se uma verdadeira bola de neve e surgiu, nos nossos dias, quase intacto. O cinema português é pouco promovido e pouco distribuído pelas entidades privadas de distribuição, que preferem o que vem lá de fora.

Mas as consequências não se ficam por aqui. A comunidade cinematográfica (produtores, realizadores, distribuidores) vive em guerra acesa. Isto reflecte-se principalmente no que toca à criação de regulamentos do ICA (Instituto do Cinema e Audio-Visual) em relação ao financiamento para produção e para a distribuição. A quantidade, a forma e a diversidade de financiamento (como o projecto de financiamento FICA), os critérios de financiamento e a promoção do cinema português geram actualmente bastantes discordâncias. Estas desordens são, mais uma vez, a consequência de décadas e décadas de cinema português sem essência e unificação, ou seja, sem tradição. As gerações sucessivas de cineastas tendem a ter dificuldade a se aglomerar e a se unir, pois nunca existiu tal união da comunidade cinematográfica no nosso país.
Esta é a realidade.

Mas a censura já lá vai. E não nos podemos desculpar com o dogma da censura. A fraca industrialização do cinema português não pode ser considerada como um ciclo vicioso irreversível. A iniciativa financeira, por si só, também não poderá restringir-se ao financiamento do estado. E a desordem que se vive dentro da comunidade cineasta, se é que podemos chamar-lhe como tal, tem que se apaziguar. Só a comunicação levará a um bom sistema, tanto de formação, como de produção de cinema.
Há que incentivar o cinema português. Há que o tornar maior. Mas para isso, para se realizar todos os pontos que enunciei acima, falta-nos o principal. Encarar o cinema português como um produto nacional. Ir ver cinema português e respeita-lo como um cinema de qualidade que é nosso. Há que se ver e falar do Cinema Português.


Francisco Noras
(Autor convidado)

Morte Sem Sentido


Sakineh Mohammadi Ashtiani é uma mulher iraniana condenada a ser lapidada por adultério, ao que tudo indica já amanha.
Ao falar deste caso poderíamos derivar para várias problemáticas, no entanto, o que queremos realçar é o facto de nenhuma autoridade supranacional ou mesmo algumas das potências mundiais, que fazem dos direitos humanos uma das suas bandeiras, tomar uma posição oficial que condene estes actos atrozes, já para não dizer que tomem medidas concretas contra este tipo de violação dos direitos humanos, porque isso já seria pedir demais…
Tal como esta violação dos direitos humanos existem muitas outras espalhadas por esse Mundo fora, mas entre o conforto do gabinete e o confronto aos tiranos a escolha parece ser demasiado fácil, mas não para aqueles que sofrem.    


O Elephante

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Yunus - a verdadeira Economia... a dos pobres

A economia tem como objectivo principal: produção, distribuição e consumo de bens e serviços. Tendo em conta a concepção de economia que o senso comum tem nos dias de hoje - e com toda a razão -, esta ciência é tudo menos distribuidora de bens e serviços!
 

Muhammad Yunus nasceu no Bangladesh e tornou-se economista, formado nos EUA por ter conseguido uma bolsa de estudo. Para ele a pobreza é um dos maiores obstáculos para garantir a paz.
Depois de acabar o curso voltou para o Bangladesh, há cerca de 30 anos, na altura um país com cerca de 130 milhões de habitantes, 62% eram analfabetos. Yunus dava aulas numa faculdade local e simultaneamente estudava para descobrir uma teoria que acabasse com a pobreza e com a fome que havia à sua volta.
Yunus conheceu uma jovem de 21 anos, que para poder trabalhar tinha pedido emprestado 25 centavos a um agiota do seu bairro, que lhe cobrava 10% de juro ao dia, esse dinheiro servia para comprar bambu para fazer cestos de verga e coisas do género, e estava incluído no contrato que a jovem tinha de vender o que fazia ao agiota, por um preço muito abaixo do valor de mercado, posto isto, a jovem conseguia lucrar menos do que 2 centavos por dia, ou seja, era escrava do agiota! Nesta situação estavam mais 42 mulheres em Jobra e Yunus decidiu ele mesmo emprestar o dinheiro que as mulheres precisavam aplicando taxas bancárias normais. Os empréstimos e os juros foram todos pagos com pontualidade e isso foi a alavanca que Yunus precisou para criar algo que combatesse verdadeiramente a pobreza.
Em 1976 foi criado o microcrédito, um crédito pensado e concebido para ajudar famílias muito carenciadas economicamente, principalmente de produtores reais, que não teriam acesso a qualquer tipo de crédito, e provavelmente nunca iriam superar a pobreza.
O microcrédito tomou o nome de “Grameencredit”, e tem como base a premissa de que os pobres (também!) têm habilidades profissionais não utilizadas, ou subutilizadas, devido à falta de recursos económicos para as potenciar.
O “Grameencredit” deu origem ao Grameen Bank, presidido por Yunus, e segundo ele e a filosofia do seu banco a pobreza não é criada e sustentada pelos pobres, mas sim pelas instituições e políticas que cercam as pessoas pobres, pelo que seria necessário, para acabar ou diminuir a pobreza, reformular todo o sistema político e as suas instituições.
Por todo o seu trabalho desenvolvido na luta contra a pobreza Yunus foi premiado com o Nobel da Paz em 2006.

            Ouve-se muito a expressão “grandes grupos económicos”, mas porquê grandes grupos? Porque ano após ano continuam a acumular riqueza, acumular recursos económicos. Mas então, para que esses grupos “engordem” alguém tem de ficar mais pobre…! No início do texto tinha dito que economia tinha como objectivo a produção, o consumo e a distribuição de bens e serviços. No seio do mundo político, a economia não é nem pouco mais ou menos aquilo que deveria ser, a distribuição raramente é prioridade.


O Elephante

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Alternativa(s) ?

Parece que nesta altura o PSD decidiu parar de brincar às birras e retomou as negociações com outro menino mimado, que é o Governo; o Conselho de Estado lá arrancou para discutir os problemas actuais do país (porque os estruturais andam esquecidos algures). Aparentemente temos o fim da crise do OE 2010 à vista. Sim, porque o fim da crise orçamental ainda se encontra, penso eu, bastante longe.


Dou por mim a pensar numa questão que raramente é discutida. Assistimos a críticas de parte a parte, onde neste caso os partidos políticos tentam ganhar vantagem uns face aos outros. Todos dizem que o Orçamento não presta, que não serve as nossas necessidades e que não passa de um PEC III. Contudo, limitam-se apenas a criticar. E alternativas, não há?
O PS apresenta a sua proposta e refere que é "aquela que o país necessita neste momento". Mostra-se pouco confortável com alterações, mas ainda assim revela-se aberto a negociações; o PSD diz que o orçamento "é mau", embora as últimas notícias refiram que o desacordo entre ambos estivesse preso por 230 milhões de euros. Referiu ainda que o mais importante não seria o cumprimento do défice, o que deixaria Bruxelas bastante chateada dado que o Governo se comprometeu com a meta dos 4,6% e, segundo consta, tem mesmo de a cumprir.

Já que os dois grandes partidos não se entendem, poderia proceder-se a uma busca por soluções nas restantes forças políticas com assento parlamentar na Assembleia da República. Todavia, é escusado fazê-lo. CDS, BE e PCP seguem o caminho mais fácil, marcado pela pura crítica e pela falta de propostas concretas.

Visto que ninguém se entende, o Presidente da República vê-se obrigado a trabalhar. Pobre Cavaco, que esteve à beira de cumprir mais mandato imaculado caracterizado por "roteiros" que pouco mais são que excursões restritas onde se come e bebe, para que no meio se dê uma palavrinha à televisão sobre o estado do país, referindo sempre que "confia nos partidos políticos" embora seja visível que os partidos nem uns nos outros confiam. Enquanto tudo isto corre, escasseiam alternativas.

Esse é, sem dúvida, o grande mal. É algo que me faz lembrar muito o programa "Prós e Contras" da RTP1. Decidem falar de um tema, juntam em mesas opostas pessoas muito e pouco favoráveis a esse tema, discute-se cerca de duas horas e quando desligamos a TV ficamos na mesma. Diz-se aquilo que já sabemos mas fazem-no através de sinónimos, para não parecer que estão a dizer sempre a mesma coisa. As alternativas, claro, não surgem.

O Conselho de Estado lá reuniu e o OE acabará inevitavelmente por ser aprovado. Talvez vejamos um mea culpa bonitinho, que fica sempre bem neste tipo de situações, e tudo volta ao normal. A única alternativa será deixar o Governo sem um orçamento aprovado e preparar as nossas estâncias turísticas para receber o FMI.

Mais importante que resolver uma crise é saber evitá-la. Porém, ainda temos muito que aprender acerca de ambas as coisas.


Pedro Paradinha